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Um panorama sobre o samba rock por Marcos Castilha -
Noticia postada em: 28/01/2010  10:00



Um panorama sobre o samba rock por Marcos Castilha!

É sempre bom falar que ninguém está aqui instituido da autoridade mor, para contar a história definitiva sobre o samba-rock. Estas singelas linhas querem dar somente um panorama sobre a coisa. Existe muito pouca coisa escrita sobre o assunto e a fonte mais fascinante sobre o assunto são os depoimentos de quem viveu e vive dentro do samba-rock, como os Djs e produtores dos bailes que mantiveram a música e a dança sempre vivas. Muitos defendem a seguinte definição: samba-rock é um estilo de se dançar. Essa definição explica muito bem o balaio de músicas de características muito diferentes, que são apropriadas no baile como samba-rock. Dança-se praticamente da mesma forma o balanço “Rational Culture”, do Tim Maia em sua fase racional como os partidos do Grupo Favela ou Aniceto do Império, ou então hits de Rita Pavone, ou então um swing da orquestra de Perez Prado. No final dos anos 50, os mais pobres ficavam de fora dos bailes das grandes orquestras. Motivo principal: Custava muito caro para frequentar. Mas, segundo alguns depoimentos, os negros chegavam a ser barrados muitos destes bailes. Nesta época já podiamos contar com os equipamentos de som Hi-Fi, o que permitiu que as comunidades mais pobres desenvolvessem uma versão mais econômica de baile: O baile sem orquestra ou o baile da “Orquesta Invisível”. Empregando o toca discos no lugar da orquestra, desenvolveu-se a figura do discotecário, que veio a se chamar Disk-Jockey e hoje chamamos de DJ.

Nestes bailes “democráticos” desenvolveu-se um estilo de dançar baseado nos rodopios do twist americano, mas este estilo de dança passou a ser utilizado para se dançar o swing, o R&B e outros estilos. A começo e meio da década de 60 são marcados pela coexistência (não pacífica em boa parte dos casos) do “samba” pós bossa nova, configurado pelo samba-jazz, o fino da bossa, a bossa americanizada de Sergio Mendes, e da jovem guarda de Roberto e Erasmo Carlos. No meio desse caldo surge o mulato Jorge Ben, com um samba meio misturado, uma levada diferente de violão. O próprio Jorge chegou a denominar samba com maracatu…na verdade, era um samba misturado com rock. Dos primeiros discos com arranjos samba-jazz de Meirelles e Luis Eça, chega ao namoro com a Jovem Guarda no disco “O Bidu”, e nos discos “Jorge Ben – 1969″ e “Força Bruta – 1970″, acompanhado pelo Trio Mocotó, seu violão encontra a levada de percussão que mais caracteriza o que iriam chamar de samba-rock: A cuíca, o pandeiro e a timba na levada do samba, mas acentuando rockeiramente o “dois e o quatro”. Em fins dos 60 encontraremos também Ed Lincoln, um organista talentoso misturando samba, rock e pitadas latinas, em pérolas como “O Ganso” ou “Palladium

O nome “samba-rock foi dito pela primeira vez por Jackson do Pandeiro, na música Chiclete com Banana, de Gordurinha. Jorge Ben nunca o empregou, mas o Trio Mocotó adotou e utiliza o termo até hoje, com muito orgulho. O fato é que este jeito de misturar samba com rock foi muito bem aceito nos bailes de “Orquestra Invisível”, e combinou muito bem com o jeito de se dançar. Na transição dos 60 para os 70 são gravadas as músicas que iriam se tornar os grandes clássicos dos bailes: “Pena verde” e “Luisa manequim”, de Abilio Manuel, “Zamba-bem”, de Marku Ribas, “Para sempre sem Bronquear”, pelos Golden Boys, “Guitarreiro”, de Luiz wagner. Os anos 70 trazem a fase áurea dos Originais do Samba, com sambas swingados como “Falador Passa Mal” e “Do Lado Direito da Rua Direita”. Em fins dos anos 70, o disco Baiano e os Novos Caetanos, traz a célebre “Vô Batê pra Tú”, de Arnaud rodrigues e Orlandivo. Nomes como Erlon Chaves, Bebeto, Di Mello, Orlandivo, Elizabeth Viana, Dóris Monteiro, nem sempre devidamente lembrados quando se fala se MPB, são os grandes nomes quando o assunto é samba-rock. Já no começo dos anos 80, o grande Branca de Neve grava dois discos antológicos, deixando várias pedradas como “Kid Brilhantina” e “Nego Dito” (uma reconstrução, ou desconstrução fantástica de Itamar Assumpção). Vale dizer que o célebre hit “Não Adianta”, com o Trio Mocotó, foi gravado nos anos 70, mas só chegou aqui pelos 80, se tornando um sucesso. O tremendão Erasmo Carlos contribuiu para o estilo, marcando presença com os clássicos “Mané João” e “Coqueiro Verde”, imortalizada para sempre como samba-rock pelo Trio Mocotó. A nossa bossa nova, relida e misturada com o blues e com o jazz pelos gringos é outra fonte de hits dos bailes, a exemplo de “Soul Bossa Nova”, com a orquestra de Quincy Jones. (Lembra da propaganda do Ronaldinho?).

O samba-rock passou a decada de 80 e 90 praticamente fora da mídia. Tivemos sim, o estrondo de Tim Maia “Só Quero Amar” e de Jorge Benjor “W Brasil”, mas uma febre de vendas mais ligada aos dois artistas do que a um estilo ou movimento. Mas, o samba-rock nunca desapareceu e esteve sempre firme e forte nos bailes black e bailes “nostalgia”, de equipes de som tradicionais como Chic Show, Mistura Fina, Musicália, Os Carlos e várias outras. Bailes muito fortes em bairros periféricos, principalmente na Grande São Paulo, onde independentemente da ditadura do pagode ou do sertanejo, o Traje esporte fino, o clima familiar, o vinil e o Technics MK2 sempre foram muitíssimo respeitados e valorizados. Virou 2000 e o samba-rock voltou a ser admirado nos circuitos “descolados”, universitários, entrou em trilha de programa da MTV, começou a voltar às festas “chiques” e para a midia em geral. Por quê? Temos muitas e nenhuma explicação. É um balaio que envolve muita coisa: Os Djs europeus descobrindo Ed Lincoln como base para fazer Techno, o Rap utilizando clássicos black e samba-rock em suas bases (vide Ela Partiu, de Tim Maia, utilizada como base para o Rap Homem da Estrada do Racionais MC’s) o revival dos anos 70 na moda e no design. Mas o fato é que o Brasil está enxergando toda a riqueza musical e alto astral deste que não sabemos ao certo se chamamos de estilo, de movimento, de dança, de música: O samba-rock. Sai dançando!

Autor: Marcos Castilha, baterista da banda Farufyno

Fontes:www.triomocoto.com.br, (vide matérias de jornais presentes no site) www.radioben.net , / “O Samba-rock chegou….” matéria de Julio Maria – O Estado de São Paulo. / Nelson Motta – Noites Tropicais. Ed. Objetiva / Depoimentos de Tony Hits, Dj. Paulão e Renato Bérgamo.


Fonte:
Samba Rock Na Veia



Postado por:
Reginaldo Gonçalves


 
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